Retrospectiva – Tatiane Lucheis https://tati.producaodeconteudo.com Mon, 19 Dec 2022 14:53:27 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 2022: o ano da ressaca https://tati.producaodeconteudo.com/2022/12/19/ano-da-ressaca/ https://tati.producaodeconteudo.com/2022/12/19/ano-da-ressaca/#respond Mon, 19 Dec 2022 14:53:27 +0000 https://tatianelucheis.com/?p=3871 Toda vez que o final de ano se aproxima, eu começo a ficar reflexiva. Tenho o hábito de fazer uma retrospectiva em dezembro. Funciona assim: todos os dias do mês eu escrevo sobre um evento que marcou o meu ano. Assim, tenho a chance de entrar em contato novamente com pelo menos 31 coisas que aconteceram ao longo dos últimos meses.

Não tem regra, vale falar sobre qualquer tema – por maior ou menor que seja – desde que tenha me marcado de alguma forma. Esse pequeno ritual de escrita me estimula a pensar sobre como os eventos se conectam e como uma área da vida influencia nas demais.

Desde o início da pandemia, vivemos anos desafiadores e sem precedentes. Sinto que em 2020 fomos pegos de surpresa, literalmente obrigados a ficar em casa. Isso aproximou algumas relações e afastou outras… também tivemos muito tempo para lidar com nossas sombras. Por aqui foi intenso!

Foi no final desse ano que eu quebrei o pé direito e me vi obrigada a ficar mais de um mês no sofá. Agitada como sou, tinha tudo para ser uma tortura. Mas não foi! Foi a pausa necessária para que eu estudasse e finalmente tomasse coragem de dar um salto – figurativamente, já que a bota ortopédica não me permitia mais do que alguns passos. Fiz minha transição de carreira e comecei a trabalhar como escritora e produtora de conteúdo.

Em 2021, aprendemos a nos cuidar, cuidar dos nossos e viver a vida em outro ritmo, mais lento, como a saúde e a economia nos permitiam. Por aqui foi um ano de faxina e reorganização! Refiz minhas bases, reencontrei uma amiga querida e montamos juntas a LAB, nossa empresa de estratégia & conteúdos. 

A chegada de 2022 veio com a sensação de um retorno à normalidade. Mas, à essa altura, o que é normal? Os anos anteriores foram mais introspectivos e reclusos e agora vivemos uma ressaca de tudo o que aconteceu – dentro e fora de nós.  

Podemos sair às ruas novamente, mas agora carregamos as marcas de um trauma coletivo. Ainda me parece difícil dar conta da vida privada e, de repente, estamos de volta à esfera pública. E se você se sente desorientado, nem pense em olhar para os lados: todos vivem sua própria versão do caos.

Estamos tentando nos encontrar de novo, pois, mesmo trancados dentro de casa, nos perdemos. Depois de tanto tempo, é preciso descobrir o que o se manteve e o que mudou. E aqui vale tudo: lojas do bairro que fecharam, empregos que mudaram, amigos que hoje mais parecem estranhos.

Aquele alívio que eu pensava que sentiria na volta ao presencial nunca chegou. Alguns dos avanços tecnológicos nos atropelaram de forma irreversível, e o que parecia provisório veio para ficar. Veja bem, longe de mim reclamar do home office, mas sinto falta de caminhar na rua, passar na padaria na volta para casa, almoçar com colegas e ter um pouco de distração entre reuniões. Opa, reunião não, agora a gente chama de “meeting”. 

As coisas foram sendo retomadas aos poucos: passeios, eventos, festas e viagens. E eu comecei a me perguntar se isso significava que a gente já podia se ver. Mas eu não conseguia marcar um encontro com meus amigos! Havia tantos ruídos em nossa comunicação, era como se eles não me conhecessem mais. Tampouco eu os conhecia, percebi angustiada, afinal, os dois últimos anos passaram para todos.

Sofri muito com todo esse estranhamento, mas, aos poucos, fiz o que faço de melhor: me reorganizei. Entendi que algumas coisas deixaram de fazer sentido e que eu precisava deixá-las para trás. Não havia motivos para carregar tantos pesos! Encerrei ciclos importantes e termino o ano com alguns pendurados, sem saber ainda o que fazer com eles.

É preciso muita coragem para sair de um lugar que antes era tão confortável, mas, ao mesmo tempo, onde não couber, não te demores. Afinal, não deveria ser difícil me relacionar com pessoas tão próximas, deveria?

Eu mudei tanto nos últimos meses! Perdi peso, comecei a praticar Yoga e estou prestes a me casar, mas absolutamente nada aconteceu como eu esperava. Esse tem sido um período intenso de autodescoberta, e tenho muito orgulho dessa Tati que está sentada aqui hoje colocando seus sentimentos no papel. Apesar de tudo, posso afirmar com segurança que eu não a trocaria por nada no mundo, nem pela volta daquele antigo conforto da vida pré-pandemia.

Talvez você, assim como eu, esteja terminando esse ano com a sensação de que nada saiu conforme o planejado, mas que, ainda assim, viveu um montão de coisas. E eu não faço ideia do que está por vir, só sei que 2022 vai embora com um suspiro pesado, daqueles que faz cair os ombros, mas que alivia os pulmões.

Publicado originalmente em: Medium.

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Retrospectiva https://tati.producaodeconteudo.com/2021/12/15/retrospectiva/ https://tati.producaodeconteudo.com/2021/12/15/retrospectiva/#comments Wed, 15 Dec 2021 12:21:38 +0000 https://tatianelucheis.com/?p=1696 Por aqui, eu já entrei em clima de final de ano!

Veja bem, não estou falando de preguiça ou cansaço; nem de happy hours ou confraternizações. É claro que tudo isso faz parte, não me leve a mal. Mas estou falando do clima de encerramento de ciclos que o fim do ano provoca em mim. Tudo, desde o último encontro com os amigos, a última confraternização com a equipe de trabalho, até a última – e dolorosa – sessão de terapia do ano.

Todos os anos, sinto que faço um “balanço geral”, lembrando de tudo o que aconteceu e marcou a trajetória daquele ano em especial. Até que certa vez resolvi formalizar: fiz uma lista com 31 eventos que aconteceram no decorrer do ano e escrevi um parágrafo sobre cada um deles, do dia 01 a 31 de dezembro. A experiência foi tão marcante que resolvi repetir, e é o que venho fazendo desde então.

Os itens variam tanto quanto os acontecimentos do ano, e abrangem todas as áreas que tiveram importância nos últimos meses: vida afetiva, trabalho, saúde, família, amizades ou qualquer outra.

Fazer esta lista me ajuda a visualizar melhor minhas realizações, além de contribuir muito com minha memória temporal. Anotando, fica mais fácil retornar àquilo no futuro. É curioso perceber como algumas questões evoluem, enquanto outras são temas recorrentes.

Escrever sobre cada um destes eventos é uma chance de me reencontrar, olhar para o passado – recente ou não – com um novo olhar, e assim posso ressignificar como os acontecimentos me tocaram.

A escrita sempre teve um quê de ritual em minha vida. Me ajuda a pensar melhor, a enxergar fatos, sentimentos e, consequentemente, a tomar decisões mais assertivas. Escrever me possibilita guardar minhas memórias no papel, assim elas não precisam ocupar tanto espaço entre meus pensamentos, o que me ajuda a controlar a ansiedade.

Dá realmente a sensação de encerrar um ciclo e me preparar para o começo de outro. Assim, durante todo o mês de dezembro, faço um balanço da minha vida e me preparo para o que está por vir.

No fim, ao narrar minhas histórias, falo sobre mim. Consigo perceber a ligação entre alguns pontos, como uma decisão acabou por influenciar outras, como me comportei de maneira semelhante em diferentes áreas ou em relação a diferentes pessoas.

Isso também me ajuda a começar a pensar em metas para o próximo ano, que podem ser uma continuidade dos meus feitos ou algo completamente novo. O fato é que esse olhar para minha história me ajuda a pensar em quais os próximos passos que desejo dar.

E não pense que é difícil encontrar trinta e um acontecimentos não, viu?

A ideia é justamente escolher uma grande variedade de temas, para que você perceba com mais clareza todas as dimensões de sua vida. Pode ser desde uma mudança de emprego, até uma nova amizade, uma viagem, uma data ou evento em particular, um hobbie recém descoberto ou aquela receita que você finalmente experimentou fazer.

O principal objetivo é que você aprenda a perceber as pequenas coisas que compõe sua rotina e assim consiga visualizar como seu ano vai se desenrolando. E, não deixa de ser também um exercício para praticar a gratidão, enxergando os pequenos detalhes e as coisas boas que nos acontecem e que devemos aprender a valorizar.

Espero que você goste da ideia e que essa sugestão te inspire a criar sua própria versão de retrospectiva pessoal.

Não há regras, apenas a sugestão de que você pare um pouco e preste atenção em sua própria história.

Este ano, escrevo minha retrospectiva pela décima vez. Isso significa que tenho um caderno repleto com trechos de minha própria história (sou das antigas, adoro escrever no papel – mas faça como você preferir). Às vezes releio um trechinho ou outro e me pergunto se foi a mesma pessoa que escreveu todas aquelas palavras. Meu traço mudou, meus sentimentos mudaram e minha vida… Ah! Essa definitivamente mudou.

Nos vemos no próximo ano. Um abraço 🙂

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